contato@ciropedia.com.br Galeria | Vídeos

Inovação | 9 Agosto 2021

A força extra que vem do laboratório

Trabalho de cientistas e de pesquisadores ajuda Brasil a conquistar medalhas e quebrar recordes

O recorde de medalhas do Brasil na Olimpíada de Tóquio teve a contribuição de uma ferramenta que não costuma ser visível aos olhos dos fãs e espectadores: o uso da ciência para melhorar o esporte de alto rendimento. 

 

Contou para o bom desempenho o trabalho integrado, promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em três áreas: conhecimento científico, saúde e performance e suporte e desenvolvimento. “É a ciência ajudando no treinamento do atleta”, diz Jacqueline Godoy, gerente do Laboratório Olímpico do COB.

 

Situado no parque aquático Maria Lenk, no Parque Olímpico, no Rio, o laboratório é uma estrutura multidisciplinar que começou a operar em 2017. A unidade permite avaliações em bioquímica, fisiologia, biomecânica, preparação mental, medicina, fisioterapia, condicionamento e força, odontologia e nutrição. 

 

As instalações também estão aptas a prestar serviços a técnicos e atletas em gestão do conhecimento, análise do desempenho e modulagem computacional. É equipado com tecnologia avançada e tem um time de pesquisadores.

 

Agora, encerrada a edição de Tóquio, o laboratório entra no segundo ciclo olímpico que vai se estender até Paris 2024. Vai ser um tempo menor até a próxima edição dos jogos por força da pandemia, que transferiu a Olimpíada de Tóquio de 2020 para 2021.

 

No período de três anos até Paris, o laboratório poderá contar com uma base de dados maior para algumas modalidades e atletas caso, por exemplo, do canoísta Isaquias Queiroz, medalha de ouro na prova de canoagem de velocidade, em Tóquio. Isaquias é acompanhado pelo COB desde 2012, quando foi a Londres fazer um trabalho de “vivência olímpica”, diz Jacqueline.

 

Os casos de Isaquias e da maratonista aquática Ana Marcela Cunha, ouro nesta edição dos jogos depois de sua quarta Olimpíada, mostram que os resultados no esporte de alto rendimento não são imediatos, como muitos podem querer ou imaginar. 

 

Assim como na educação, é preciso investir a longo prazo. Ana Marcela, à semelhança de Isaquias, também é acompanhada pelos profissionais do Laboratório Olímpico.

 

Entre janeiro e julho de 2021, o laboratório fez 1.404 avaliações envolvendo 171 atletas. A instituição tem flexibilidade para fazer os testes nas instalações do Parque Olímpico, no Rio, e também fora dele, em pistas de atletismo, quadras ou raias aquáticas no Brasil e no exterior. 

 

Os profissionais encarregados das avaliações podem acompanhar os atletas valendo-se de equipamentos portáteis. Este ano foram atendidas pelo laboratório 17 federações em 21 modalidades. A natação foi a modalidade com mais atletas avaliados (51), sendo seguida do atletismo (38), do rugby (22) e da ginástica (20).

 

De olho no próximo ciclo olímpico, o Laboratório Olímpico deve fazer novas parcerias com instituições acadêmicas e com o setor privado para ampliar investimentos e esforços em termos de tecnologias e de protocolos de avaliação. 

 

O laboratório foi criado a partir de parceria do COB com nove instituições de ensino e pesquisa e recebeu aporte de mais de R$ 11 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na modalidade não reembolsável. O dinheiro permitiu bancar obras e equipamentos.

 

Entre as parcerias existentes, estão uma com a PUC-RS e outra com a UFRJ, ambas na área de psicologia desportiva, e há interesse em fechar acordos com a Unicamp e com a Unifesp. 

 

A Unifesp tem equipamento na área de fisiologia para estudar mudanças de temperatura e de umidade, o que pode ser útil em situações como a de Tóquio, onde os atletas sofreram muito com o calor. O orçamento do laboratório para 2021 é de R$ 7,5 milhões.

 

odo esse esforço não garante, porém, que o Brasil consiga repetir em Paris o desempenho do Rio e de Tóquio considerando dificuldades de planejamento de médio e longo prazos, comuns a um país como o Brasil, e a renovação de parte do quadro de atletas, reconhece o diretor de esportes do COB, Jorge Bichara: “Cada vez que sobe o sarrafo fica mais difícil superar”, diz.

 

O desempenho foi garantido apesar de uma redução nos investimentos após a Rio 2016, o que era esperado. Só na área privada, como mostrou o Valor, o montante dos patrocínios, incluindo dinheiro e permutas, foi de R$ 85,35 milhões entre 2017 e 2020, 11% abaixo do ciclo olímpico anterior (2013-2016). 

 

A queda é natural uma vez que quando um país sedia os jogos há mais interesse de empresas e poder público nos investimentos.

 

Bichara diz que em Tóquio o COB deu sequência ao trabalho desenvolvido pelo Laboratório Olímpico há cinco anos. No Japão, houve suporte aos atletas nas áreas de fisiologia (bioquímica) e preparação mental, além da análise de vídeos. 

 

A equipe também contou com suporte médico e um reforço na alimentação com a montagem de estruturas para servir comida brasileira aos atletas. O cardápio incluiu arroz e feijão, frango com quiabo e angu, feijoada e moqueca com farofa de dendê, entre outros.

 

“A alimentação foi um dos pontos fortes do planejamento”, afirma Bichara. O Brasil levou 700 pessoas para Tóquio, entre atletas (mais de 300), equipe médica, treinadores, analistas e pessoas do COB distribuídas nas oito bases de apoio montadas pelo comitê. (Valor Econômico)

MAIS LIDAS

Whatsapp